Pois bem… o Brasil não escapou da caça às bruxas. Geralmente, as “acusadas” eram mulheres populares, curandeiras e herboristas, que utilizavam seu conhecimento de ervas e rituais, e muitas foram vítimas de perseguição e morte.
Houveram três casos (mais “famosos” - entre vários) onde mulheres, foram acusadas de bruxaria, heresia e outras práticas e perseguidas durante o período colonial. Mas a real causa disso era a ignorância, o medo (porque mulheres dominavam saberes que homens não tinham), a beleza (que despertava raiva, ciúmes e inveja)…
Imagine mulheres acusadas de bruxaria condenadas à fogueira e sendo queimadas vivas em pleno Centro de São Paulo. Pois isso aconteceu, nos séculos 17 e 18. No Brasil colonial, apesar da carência documental, há relatos históricos de mulheres condenadas por bruxaria em terras brasileiras, num autêntico ritual medieval com direito a execuções em público e supostas bruxas ardendo em meio às chamas. Com base nos princípios do Tribunal do Santo Ofício, órgão máximo da Inquisição católica, mulheres acusadas de bruxaria eram julgadas e condenadas pelos padres e dirigentes locais e, muitas vezes, acabavam sendo queimadas vivas.
Mima Renard, uma francesa conhecida por sua beleza, despertava o desejo de outros homens, muitos deles casados. A cobiça era tão grande que, na brutalidade em que vivia a população do sertão paulista, seu marido René, foi atacado e morto por um pretendente de sua mulher. Sem condições de sustento, a jovem viúva não viu outro caminho para sobreviver que não fosse a prostituição. Os homens continuavam atrás dela e – surpresa – a “culpa” da empolgação masculina foi atribuída à mulher, que virou alvo de boatos dizendo que ela praticava feitiçaria para atrair o marido alheio.
A gota d´água ocorreu após uma briga envolvendo dois homens, ambos casados, por causa da bela viúva. Os boatos viraram acusação e a ela foi denunciada por feitiçaria e bruxaria ao padre da vila. Resultado: Mima foi julgada, condenada e executada na fogueira em público, em 1692.
Ursulina de Jesus, o segundo caso notório, ocorreu em meados do século 18. O casal Ursulina e Sebastiano de Jesus morava em São Paulo e tinha um certo status social na cidade. Como não tinham filhos,Sebastiano acusou a mulher de feitiçaria para deixá-lo estéril.
Nessa época, ele estava tendo um caso extraconjugal, e sua amante, chamada Cesaria, foi uma das pessoas que acusaram Ursulina de bruxaria, no tribunal inquisitório. Como não eram exigidas muitas provas para delatar alguém que atentasse contra o clero, Ursulina de Jesus foi condenada por heresia e bruxaria, sendo queimada na fogueira em 1754.
Maria da Conceição, a curandeira: Algumas décadas após o episódio de Ursulina, vivia em São Paulo uma mulher conhecida pelo seu conhecimento e manejo de ervas medicinais chamada Maria da Conceição. Ela frequentemente receitava chás e ervas para os doentes da cidade. Um pároco local chamado padre Luis (não há registos sobre o seu sobrenome) implicou com as ações da curandeira e abriu um processo contra ela por heresia e bruxaria. Ela, então, foi mais uma vítima, queimada viva em 1798, numa fogueira acesa próxima ao Largo de São Bento, onde ficava o convento dos beneditinos.
Felizmente os tempos são outros, mas Mima, Ursulina, Maria da Conceição e muitas outras mulheres acusadas de bruxaria pela Inquisição são lembradas todos os anos, no dia 31 de outubro, quando também é celebrado o Halloween.
E aí? Gostaram da história?
Com carinho,
Ana
Fontes:
Del Priore, Mary - Histórias das mulheres no Brasil (editora Contexto)
Bezerra, Henrique - "1692 - baseado em uma história real" - conto - Amazon
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